C a r r e g a n d o . . .
Como e Quando Devemos Vermifugar o Curió
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Uma regra básica não pode ser esquecida pelos criadores: São três ninhadas por ano e nada mais, mesmo que os pássaros continuem dispostos a prosseguir o processo de reprodução não devemos permitir, ou sequer tentar uma quarta ninhada.

A reprodução deve ser iniciada em Setembro e interrompida em Março, damos aos Curiós sete meses para tal mister, possibilitando dois meses por ninhada e mais 30 dias para o desenvolvimento do Cortejamento inicial, o fato é que no mês de março após produzirem a terceira ninhada devemos interromper o processo com a remoção do ninho e a retirada do Cortejador, Galador, Sonorização Mecânica ou qualquer elemento estimulador da reprodução do interior do criadouro para que ocorra o esfriamento das matrizes e se inicie o “Recesso de Descanso” ou período de recuperação do plantel, período este compreendido entre a última ninhada e a Troca de Penas “Muda”, fundamental para que os pássaros recuperem as energias gastas com a reprodução e preparem o seu organismo para a realização de uma muda tranqüila e sem percalços. Este Recesso a que me refiro deve ocorrer entre os meses de Abril e Maio quando devemos substituir a dieta de Cria pela de recuperação do organismo possibilitando a aquisição do Tonos capas de suportar os rigores da Muda. A condição física necessária e adequada é fundamental, precisamos chegar ao início do período da Muda com os nossos pássaros em condições saudáveis sem qualquer sinal de esgotamento profundo, precisam estar no fim da muda com boas condições, isto é, no fim do mês de Julho no máximo, para que possamos durante parte do mês de Julho e agosto preparar todo o nosso plantel para a nova Estação de Cria que irá se iniciar durante o mês de Setembro. É neste ponto, e após esta explanação resumida da cronologia e dos procedimentos que adotamos, que falaremos da Vermifugação.

Verminose: Helmintoses (Nematódeos, Cestódeos e Trematódeos): Podemos afirmar com vasta comprovação por Exames Parasitológicos de fezes (pesquisa de ovos dos helmintos) que Curiós nascidos em domesticidade, em gaiolas de arame, dotadas de grade de proteção de fundo e bandeja revestida com papel absorvente, em que a grade é substituída de quatro em quatro dias por outra limpa, enquanto a usada é encaminhada para higienização e desinfecção com hipoclorito, e passam quatro dias no sol, e mais, com substituição do papel da bandeja de oito em oito dias (papel absorvente A estiva). “Não tem Verminose” (Helmintoses). Não existe infestação via “Saco Vitelino” a exemplo das que ocorrem nos mamíferos via “Placentária”. Esta é a nossa constatação e entendimento com Curiós dotados de “Certificação de Boa Origem”.

Nós, Criadores Amadoristas cuidadosos e dedicados, amantes extremados do Curió, ficamos ansiosos por oferecer-lhes o melhor, custe quanto custar, e, neste afã corremos o risco de Vermifugá-los na época errada e desnecessariamente. Não estou pregando a ausência de verminose nos Curiós e sim, a ausência de helmintoses em Pássaros com Certificação de Origem e criados dentro dos critérios descritos. Vermifugação de Curiós só com Exame Parasitológico de Fezes, (pesquisa dos ovos dos helmintos) e repetido por pelo menos duas vezes. Muito cuidado com a “Toxidez” de certos produtos e suas dosagens que devem ser em função do “Peso Vivo” do pássaro (penas não contam) e que acima de tudo precisam estar em condições apropriadas de saúda para receberem este tratamento. O organismo do Curió reage rapidamente às agressões, não nos dando tempo a reparar erros que poderão ser fatais. Ministrar vermífugo diariamente por sete dias ou mais, é no meu entender uma temeridade, este ato pode minar, debilitar a resistência hepática dos nossos Curiós provocando problemas futuros que não saberemos a causa nem como resolve-los.

Temos encontrado Helmintoses do tipo Cestódeos (tênias) em Curiós “MATEIROS” ou oriundos de criadouros negligentes com a limpeza, verdadeiros depósitos de pássaros. Ministramos aos Curiós de origem desconhecida, ou em regime de “Descaso com a higiene” apenas quando constatamos em exame de Laboratório a presença de ovos ou vermes do tipo Cestódeos expelidos nas fezes e observados inclusive a olho nú, usamos o Vermífugo de nome “Canex Composto” Fabricado pelo laboratório Agribands do Brasil Ltda. Rod. Campinas/Paulínia Km 122 S/N Paulínia SP. Tel-(19) 3884-7188.

Usamos ½ comprimido em 20ml de água, deixamos os Curiós sedentos por 4 horas e fornecemos o conteúdo do bebedouro por apenas uma única “Bebida” dose única, em seguida retiramos o bebedouro para outra gaiola até o último Curió, com exame parasitológico positivo. Repetimos o procedimento com 15 dias. Os resultados são observados em 10 a 15 minutos com a expulsão dos vermes que podemos observar a olhos nus e, até ajudarmos em sua remoção, pois ficam pendurados no anus do Curió. Não temos a pretensão de polemizar o assunto, pretendemos apenas formalizar a nossa opinião sobre esta questão. Aqueles que por ventura discordem do dito ou tenham posições divergentes, por favor, desconsiderem o exposto. Mas polêmica não.

Fonte: Gilson Barbosa – BA.

Aprendizado do Melhor Canto
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Hoje, graças a Deus e ao trabalho de muitos abnegados, temos tido a oportunidade de conhecer, em ambientes domésticos, inúmeros pássaros, notadamente bicudos, canários-da-terra e curiós de excelente qualidade de canto. De outro lado, na natureza, não se vê e não se acha mais, exemplares com essa característica.

Os que lá estão, são, em sua maioria, os de canto "comum", "grego" ou ."trola". Fica a pergunta: como posso, então, fazer para criar meus filhotes e ter a certeza que eles terão um dialeto de canto que me satisfaça? Não é difícil. Basta ter método e organização, com um pouco de paciência e obstinação pode-se conseguir um pássaro de bom canto, como queremos.

Por oportuno, vamos citar também, revendo e atualizando, trechos do capítulo de nosso livro Criação de Curiós e Bicudos que diz respeito a esse assunto. A melhor forma de ensinar um pássaro a cantar é o método natural, ou seja, com o próprio pai. Essa é a lei da natureza. O pai canta, o filho ouve e aprende, para mais tarde assumir o seu lugar e papel. Nenhum deles nasce sabendo cantar, tem aprender com o pai e seus congêneres. Contudo, isto nem sempre é possível em ambientes domésticos pelos fatores descritos a seguir: a) o pai canta feio ou tem defeito no canto; b) a produção é em série e o pai só foi utilizado para fecundar o ovo; c) o filhote é separado do ambiente do pai; e d) o ambiente do criadouro não favorece. Recomenda-se, então, para aprimoramento do canto, o aprendizado via escuta de disco ou fitas gravadas, com pássaros de reconhecida qualidade de canto. Todas as fitas de boa qualidade são editadas, por isso, teoricamente, não se corre o risco de ensinar defeitos ou vícios nos cantos. O ensinamento do melhor canto é um processo que exige muitos cuidados e paciência do criador e deve iniciar-se o mais cedo possível. Lembrando-se que está provado que devemos concentrar nossos esforços quando o pássaro estiver ainda no ninho. Outra fase importante é quando ele começa a abrir o fogo para acasalar.

Esses momentos são aqueles em que ele está mais propenso a aprender. Daí, devemos, se possível, retirar a fêmea com o filhote no ninho de locais onde ele possa escutar algum tipo de canto que não queremos que aprenda. Nesse novo local só tocaremos a gravação escolhida. Segundo estudiosos, se analisarmos as aves no estado selvagem, veremos que na época em que estão em bando dos 70 até 5/6 meses de idade não estão propensas a aprender nenhum canto.

Estão em fase de muda, fora de seu habitat e até refratárias aos cantos e ruídos diferentes que estão escutando. Não podem aprender porque estariam alterando o dialeto de seu ecossistema, aquela frase musical que sua família ensinou ainda no ninho. Todo cuidado deve ser tomado para não se causar refração ao pássaro. Tocando a gravação de forma excessiva e em momentos impróprios, dificultaremos o aprendizado. Isso, também, poderá inviabilizar totalmente que ele aprenda o canto desejado.

Não se deve ensinar o canto para mais de um filhote de uma vez, notadamente depois que ele começa a ensaiar o canto. Quando há uma bateria de mestre muito grande pode-se, ao contrário, ensinar-se o canto para vários filhotes ao mesmo tempo, porque prevalecerá o dialeto da comunidade, o canto da suposta família. Muita gente está adotando o sistema de caixa acústica fechada hermeticamente onde não se escuta o som de fora, só aquele do canto escolhido.

Este procedimento tem dado resultados positivos. Consiste num artefato de madeira com paredes duplas e isopor no meio, dois orifícios na parte debaixo para entrada de ar, dois orifícios na parte de cima para saída do ar. Na parte da frente colocar um vidro duplo transparente. Muito interessante, também para abrigar nesse local, a gaiola de qualquer pássaro, inclusive de galadores de má qualidade de canto. Como é muito difícil que tenhamos pássaros mestres de canto perfeito e completo, o melhor é que o aprendiz só escute o som do disco ou fita da melhor gravação possível. Assim, a probabilidade do aprendizado aumenta muito. Todavia, nunca se tem a certeza se o pássaro irá aprender o canto ministrado.

Às vezes, aprende só algumas partes. A título de informação, há ainda o fator "código genético", influência da natureza que produz espécimes responsáveis pelo dialeto de sua família, e que nunca migrarão, só se forem forçados. Esse tipo de pássaro tendo escutado algum tipo de canto no ninho, nunca mais mudará uma nota sequer, é bom lembrar sempre disso.

Alguns criadores reclamam que os pássaros criados domesticamente têm apresentado uma voz deficiente e pouco natural. Culpam a continuada reprodução como culpada disso. O que não é verdade. Nós mesmos é que estamos causando essa falha. O som caminha a 300 metros por segundo. Em um ambiente fechado, notadamente onde haja acentuada reverberação por causa das paredes, do teto e do piso, as notas carregam sons umas das outras e ficam sibilando.

O filhote aprendiz não entende a frase musical e começa a cantar musicado, metálico, com ressonância, com sons ininteligíveis e tudo quanto é impropriedade. É horrível, mesmo para nós, escutar um pássaro em locais reverberados. O pior é que justamente aqueles filhotes que aprenderam musicado/metálico seriam os melhores, porque tiveram a inteligência de representar aquilo que estavam ouvindo: um som reverberado e de difícil compreensão. Não é assim na natureza. Lá eles cantam e não há qualquer tipo dessa interferência. Qualquer pássaro, se for sadio, terá voz característica, pelo menos aquela natural de sua espécie ou subespécie, nem mais nem menos. Lógico que, quanto maior e mais forte, mais capacidade, mais força terá a ave para emitir o som. Não podemos, com certeza, dizer que os pássaros criados com o passar do tempo estão perdendo a voz. Estão aí centenas deles, campeões, a provar que isso não é verdade. Depende, especialmente, do cuidado que o criador tem com a questão da reverberação. . Outro item importante é a escolha do material sonoro, o disco, de preferência CD, e a fita devem ser de boa qualidade, sob pena de produzirmos pássaros de também irão emitir cantos com um timbre artificial. Já vimos pássaros que reproduziam até o ruído arrastado emitido pela fita K7. Muito importante também é a qualidade dos materiais, especialmente os alto-falantes. Devem reproduzir sons médios e agudos. Bicudos, canários-da-terra e curiós cantam na freqüência de 1500 a 7.000 hertz, o portanto, os harmônicos podem chegar até a 18.000 hertz. Portanto, devemos utilizar alto-falantes que abrangem essa faixa de freqüência.

Muito bom e de baixo preço é o "tweeter" WRT-95 da Leson. Ele reproduz de 1500 hertz a 20.000 hertz com muita fidelidade. Temos que ter o máximo cuidado com a escolha do local do alto-falante estará por causa do reverbe. Às vezes é melhor que estejam virados para o lado de fora da casa.

Outro recurso tecnológico importante, embora ainda não muito utilizado, é o "efeito stereo" . É utilizar-se da propriedade da emissão de sons dos dois canais separadamente. Enquanto o "left" canta o "right" espera e vice-versa. Esse procedimento permite que se utilize dois ou mais alto-falantes no mesmo equipamento o "canta responde" , isto é representar a natureza. O pai canta e o suposto rival da comunidade responde. Só que a gravação originalmente deve estar desse jeito. Uma boa forma é colocar um alto-falante perto, nesse o mestre não repetirá, só três cantos. Já no alto-falante que estiver mais longe o mestre canta com 6 cantos.

O que o pássaro precisa aprender é o dialeto. Não pode haver, pela lógica, nenhum problema que ele escute dois ou mais pássaros ou gravações de pássaros diferentes que cantem de forma idêntica o mesmo canto. Pode-se fazer isso com conjuntos de som diferentes mas ficaria muito mais dispendioso.

Reproduza a natureza, o pai canta, o tio responde acolá, e outro parente responde lá longe e assim todos os congêneres perfazendo todo o ambiente. Essa forma, sem dúvida, é a melhor para ensinar o canto escolhido com mais segurança de sucesso. O mesmo método adotado para filhotes pode ser usado para se tentar ensinar ou retirar defeito no canto de pássaros adultos, principalmente alguns tipos de bicudos que por serem nômades mudam de dialeto com facilidade.

A existência de gravações está sendo o principal motivo do incremento das atividades dos criadores, porque possibilitou a todos o ensinamento dos melhores estilos, os cantos de campeões aos filhotes produzidos, socializando e permitindo a participação de todos que quiserem no processo. Existem fitas que para tocá-las melhor utiliza-se o auto-reverse, que retorna tocando o verso e o anverso de forma continuada. Para o CD se deve usar a mesma técnica através da tecla repeat. O CD produz o melhor som e não se deteriora com facilidade. O volume do som produzido terá que se o mais próximo do natural possível e será como se fosse um pássaro cantando. É indispensável também, a utilização do temporizador timer, equipamento que tem a propriedade de desligar o som periodicamente. O ideal é que os intervalos sejam de 30 minutos tocando e 30 minutos desligado. Iniciando-se às 5:30 hs. com término às 18:00.

Existe no mercado timer com célula fotoelétrica que só liga quando há claridade. Atente para afastar os ninhos de pardal de perto do criadouro, porque é muito comum os filhotes aprenderem trinados característicos desses pássaros. Observar vizinhos que detenham outros pássaros, principalmente o canário-do-reino que muito prejudica o aprendizado. Temos tido notícias, no entanto, de que muitos filhotes têm aprendido a cantar o dialeto desejado em ambiente onde haja vários tipos de pássaros diferentes. Por uma questão de instinto ele selecionará e saberá distinguir qual é o canto que deve aprender. É bom não arriscar, todavia.

Como vimos, o pássaro de canto de qualidade tem que ser tratado com cuidado especial, não se pode deixá-lo duelar/disputar canto à vontade. Isso só pode ser feito se o outro tiver um canto igual ou muito parecido. Quando tivermos um pássaro bom de canto é salutar que se grave o respectivo canto e, através de um bom material sonoro, se toque sistematicamente o próprio canto para ajudar a fixar o dialeto. E a repetição, de que adianta todo o trabalho exposto acima se o pássaro não é repetidor para bicudo e curió e se canta comprido para o canário-da-terra. . Se não repetir ou cantar comprido não vale a pena. Essa é outra questão muito complicada, é genético o filhote já carrega fatores hereditários que irão possibilitar essa característica. Não temos conhecimento, por enquanto, de nenhum estudo científico que possa comprovar qual o melhor método para se realizar a reprodução para obter-se pássaros repetidores.

O que se sabe é que uma determinada fêmea gera filhotes repetidores com qualquer macho, ou vice-versa um determinado macho gera filhotes repetidores com qualquer fêmea. Ou um determinado casal gera filhotes com essa característica. Escolher um filhote de famílias de repetidores já é um bom caminho.

No caso do curió, há criadores, como o Marcílio Picinini e muitos outros que estão há 20 anos cruzando repetidores com repetidores. Daí o caminho só pode ser adquirir pássaros de criadores que têm esse tipo de preocupação com seus reprodutores. Além de ser proibido, não se deve nem falar em pássaros silvestres, que além de não se saber a origem seria de se fazer inúmeros testes para se ter consciência que são de famílias de repetidores ou não.

Seria uma perda enorme de tempo e de recursos. Ainda bem, esse fato tem ajudado bastante no desinteresse de espécimens capturados.

Como dissemos, a grande verdade é que a busca do melhor canto tem incrementado a atividade de reprodução de pássaros de forma decisiva. Graças a essa particularidade, se pode sentir o trabalho de uma legião de aficionados objetivando produzir pássaros nacionais no afã de obter êxito no aprendizado do melhor canto em seus filhotes.

Fonte: Aloísio Pacini Tostes - Ribeirão Preto SP

Morte das Aves Após a 4ª Semana de Vida
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Vem crescendo a mortalidade das aves após serem separados de seus pais, a doença vem apresenta-se como uma das principais causas de morte em aves jovens, ou seja, no período compreendido entre a 4.ª e a 13.ª semana de vida, tanto em aves exóticas (Diamante de Golde, Choebia gouldiae, Canários, Serinus canaria, etc), com também da nossa fauna (Canário da Terra, Sicalis flaveola brasiliensis, Curió, Oryzoborus angolensis, etc).

Na maioria dos casos, constata-se entre os criadores destas aves, o desconhecimento quase total desta doença. Este desconhecimento, possivelmente, é devido ao surgimento da mesma quase sempre de forma ainda confusa e muito semelhante com outras doenças mais conhecidas.

Esta doença pode ser detectada em alguns criadores grandes onde a super população de aves, favorece o aparecimento natural dessa doenças, e podendo se alastrar para os pequenos criadores devido à aquisição por estes, de aves naturalmente portadoras.

A doença provoca surtos com elevada taxa de mortalidade entre as aves jovens, após a separação dos pais, a partir da 4.ª ou 6.ª semana de vida. A doença passa por um período de incubação de cerca de 8 dias, causando ao término deste uma elevada mortalidade, que se situa entre 40% á 85% dos casos.

Como característica, esta doença não vem acompanhada de sintomas clínicos precisos, devendo ser observado nas aves jovens, quando estas apresentam-se sonolentas, com as penas eriçadas e não dispostas a busca por alimento ou disputa dos poleiros, permanecendo isoladas ou num canto da gaiola ou criadeira, sintomas, como disse antes, muito parecidos com outras doenças, nosso indicativo mais forte para que possamos indentifica-la é a idades das aves.

A doença é provocada por um parasita intestinal, que infecta o sangue das aves, e que é detectado nas autópsias, apresentando como sinal mais característico, apenas um grande aumento de volume do fígado e baço, não causando outro tipo lesão particular.

Recomenda-se nos períodos após a separação das aves jovens dos seus pais, como também, nas épocas de reprodução, a fim de evitar uma exagerada mortalidade as seguintes medidas preventivas e curativas:

  • Utilizar antes das aves apresentarem qualquer sintoma, durante 4 dias por semana e no período que decorre entre a 4ª e a 13ª semana de vida, uma associação de antibióticos, que seriam a base Josamicina, Trimetoprim e Sulfametazina na dosagem indicada pelo fabricante, mistura que facilmente encontramos nas casa veterinárias conceituadas com vários nomes comerciais;
  • Como curativa, isto é, se de fato for constatado quaisquer sintomas;
  • Administrar os mesmos medicamentos na mesma dose, entretanto por um período de 10 dias descansar por 5 dias com uso de um complexo de vitamina e aminoácidos e repetir por mais 5 dias, após retornar com o uso da vitamina.

Ressaltando que estas medidas só deverão ser tomadas caso realmente seja identificado o problema, ou sejam adquiridos animais de procedência desconhecida, não devendo ser executado de forma nenhuma em outras circunstâncias, pois como sabemos o uso de antibióticos deve ser evitado ao máximo, sendo sua utilização somente em último caso.

Por: José Carlos Benites
Referências Bibliográficas
Nilipou, A.H., Biosseguridad III - Los Detalhes, 1992.
Brunelli, Riccardo, El Gran Libro Ilustrado de Los Canários, 1999.
Walker, G.B.R., Canarios Color, Forma Y Canto, 1993.
Bielfeld, H. Aves Exóticas, 1996.
Alderton, D. Aves de Odorno, 1993.

Limpeza e Desinfecção de Aviários
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A criação de aves em ambientes confinados propicia o crescimento, propagação de microorganismos e parasitas que são prejudiciais à saúde destas e até das pessoas que as manuseiam. Por isso, alguns cuidados básicos devem ser tomados para evitar que estes agentes venham a contaminar e se desenvolver nos aviários.

O importante é entender que nenhum programa de limpeza e desinfecção não pode substituir um bom manejo no aviário. A adoção de medidas como quarentena para novos pássaros, prevenção de contaminação transversal entre gaiolas e a utilização de fontes de alimentos e água de boa qualidade, são de fundamental importância para o sucesso na prevenção de doenças e contaminações por parasitas.

A utilização de desinfetantes e produtos para controlar parasitas das aves, deve ser feita com muito controle e somente quando for extremamente necessário, pois estes produtos são tóxicos para as aves, para o homem e podem causar resistência dos microorganismos (bactérias) e parasitas (ácaros), ao seu principio ativo, perdendo sua eficiência.

A limpeza contínua é de extrema importância, para evitar a infestação do aviário por agentes patogênicos e parasitas que infectam as aves. Os resíduos de alimentos como cascas de sementes e restos úmidos de farinhadas que ficam de um dia para o outro, fezes, penugens, etc devem ser retirados diariamente, pois podem servir de substrato para o crescimento para tais organismos. Também deve ser feito um programa para limpeza e desinfecção das paredes, comedouros, bebedouros, poleiros e gaiolas. As pessoas que fazem o manejo, devem usar roupas e sapatos limpos, lavar bem as mãos e utensílios.

Quando for necessário a utilização de desinfetantes, esta deve ser feita, seguindo as recomendações do fabricante (diluição e tempo de contato com o material), limpeza prévia das superfícies a serem desinfetadas. Também deve ser observado o grau de toxidade do produto utilizado para maior segurança dos animais e do homem.

Existem vários tipos de desinfetantes disponíveis no mercado, com diferentes princípios ativos, como o cloro, Glutaraldeído, amônia quaternária entre outros. A recomendação de cada uma destas substancias pode ser feita de acordo com as condições do aviário e segurança no manuseio.

Uma boa desinfecção é o resultado de um bom trabalho físico (limpeza de toda a matéria organica) e do desinfetante; por isso, a desinfecção deve ser feita quando o criador estiver completamente limpo, uma vez que os desinfetantes tornam-se ineficazes na presença de matéria orgânica.

A seleção de uma desinfetante depende da classe de enfermidades de maior incidência na região em determinada época, e das indicações sobre seu uso. É conveniente fazer-se rodízio periódico de desinfetantes.

Os desinfetantes têm melhor atuação a temperaturas de 18 a 21 C, devendo-se seguir as indicações e as regras de segurança.

Os compostos de Amônia Quaternária apresentam como vantagens: são atóxicos, estáveis, não-corrosivos, podem ser aplicados na presença das aves e tem boa ação sobre bactérias gram-positivas. Entretanto, pequena ação em pH ácido, inativam-se (em parte) em presença de matéria orgânica, possuem pequena ação sobre bactéria gram negativas e são neutralizados pelos detergentes aniônicos (sabões), por este motivo indica-se o uso deste associado com Glutaraldeído, que facilmente encontra-se no mercado já associado com diversos nomes fantasias.

Segue tabela apresentado um breve resumo dos pricipios ativos dos desinfetantes mais comuns no mercado e a sua recomendação de uso.

Propriedade Cloro Iodo Fenol A. Quaternária Formol
Bactericida + + + + +
Bacteriostático - - + + +
Fungicida - + + +/- +
Toxidade + - + + +
Atividade com Matéria Orgânica ++++ ++ + +++ +

Fonte: Canadian Departament of Agriculture, Hetchery Sanitation, 1970.

Em linhas gerais devemos adotar os seguintes procedimentos:

    1 - Escolher um desinfetante que contenha Amônia quaternária associado com outro desinfetante, e atualmente temos no mercado avarias opções como: Amoxes, Salvex, etc;
    2 - Fazer uma boa limpeza de toda a matéria orgânica, usando produtos de limpeza com cloro ativo;
    3 - Após o ambiente estar limpo e seco, fazer três pulverizações em dias alternados, utilizando sempre os mesmos horários, este preferencialmente deve ser no período da manhã em dias secos;
    4 - Devemos repetir a cada seis meses o mesmo procedimento, alterando apenas o principio ativo do desinfetante.

Por: José Carlos Benites
Referências Bibliográficas
Nilipour, A. H., Biosseguridad II - El Costo, 1992.
Nilipou, A.H., Biosseguridad III - Los Detalhes, 1992.
Brunelli, Riccardo, El Gran Libro Ilustrado de Los Canarios, 1999.
Mark, R. Guía de las aves de odorno, 1981.

Melhoramento Genético para Criadores Iniciantes
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Introdução: muito pouco ou quase nada se tem escrito sobre Melhoramento Genético do Curió ou mesmo sobre Seleção Genética. Temos a impressão de que o Curió está imune às Leis da Genética e que não podemos aplica-las para melhorar as suas qualidades. Se não dispomos de Curiós de excelentes qualidades em quantidades suficientes para atender a demanda do mercado, duas hipóteses me ocorrem: Não temos produção suficiente, ou temos, porém de qualidade duvidosa. Temos verificado entre os criadores o desejo obstinado de produzirem ninhadas a qualquer custo, e isto é muito bom, porém precisamos aliar aos nossos desejos os Melhoramentos Genéticos necessários.

Formação do genótipo do criadouro: todos os criadores de Curiós buscam a formação de um genótipo próprio para o seu Criadouro. O Genótipo é a sua "Marca Registrada". Para a formação desta "Marca Registrada" devem simplesmente adquirir pássaros portadores de herança genética de sua preferência como ponto de partida para a formação e desenvolvimento do seu criadouro que se encontra em formação. Pode-se ainda proceder ao aperfeiçoamento do genótipo adquirido como forma de tornar-se um criador representante daquela "Linhagem", no entanto, a aquisição de genótipos desenvolvidos por outros criadores como ponto de partida para a criação, tem sido cada vez mais freqüente entre os criadores por agregarem valor aos seus descendentes. O desejo de cada um é possuir pássaros com características próprias, portanto é indispensável que se faça uma escolha tecnicamente correta na hora de se adquirir um Curió.

A definição dos caracteres desejáveis para iniciar o trabalho de adequação de suas preferências sobre o genótipo recém adquirido é de fundamental importância, pois, a maneira mais eficiente de se obter o melhoramento genético do Curió é através da prática dos Cruzamentos Dirigidos. Estes cruzamentos proporcionam a fixação na progênie dos caracteres desejáveis portados pelos padreadores envolvidos nos cruzamentos e baseiam-se no principio da "Hereditariedade" que consiste no fenômeno da continuidade biológica pelas quais as formas vivas se repetem nas gerações que se sucedem (progênie).

Buscamos identificar (descobrir) entre os padreadores e matrizes que dispomos, as melhores combinações de Genes, (combinações gênicas) capazes de se manifestarem espontaneamente na progênie. Todo o trabalho é voltado à investigação e identificação da melhor composição genética que podemos dispor para a formação do Genótipo do nosso criadouro. Esta combinação deve atender aos nossos critérios de qualidade já que dispomos de um plantel (banco genético) e exercemos sobre ele um total controle, podendo conduzir de forma criteriosa os cruzamentos definindo quais genes irão compor a progênie de cada acasalamento. Sabemos que determinada progênie será parecida com seus pais mediante princípios de hereditariedade e que, os pais são do jeito que são porque também herdaram qualidades e defeitos dos seus, logo o processo de hereditariedade se renova a cada cruzamento e podemos interferir em busca da Composição Gênica que melhor se enquadre às nossas exigências, podemos planejar quais fatores genéticos comporão a progênie da próxima ninhada e que seguramente serão herdados dos Pais.

Fica claro mediante o exposto que, a qualidade de uma progênie é determinada por sua herança genética que se manifestará no momento oportuno e, caberá ao criador selecionar os indivíduos mais representativos e portadores dos fatores genéticos desejáveis para constituírem ao longo do desenvolvimento da criação o seu plantel.

A este conjunto de ações planejadas denominamos de Seleção Genética.

Seleção Genética - Depuração do Plantel: Devemos no início da Estação de Cria escolher criteriosamente o genitor mediante análise do seu genótipo. Este Curió deverá representar o melhor que podemos conseguir em termo de "Pedigree" (conjunto de todos os seus ascendentes). Esta escolha criteriosa deverá garantir a correta combinação de gens que comporá o genótipo que se pretende produzir. O genitor escolhido deve ser o mais perfeito representante das qualidades que o credenciará a desempenhar a meritosa função de padrear todas as progênies da Estação de Cria; em outras palavras, será ele o pai de todas as gerações da Estação de Cria em questão.

Todas as matrizes deverão ser testadas em busca da identificação daquelas cuja progênie exibirá as boas características latentes em seu genitor. Cada cruzamento deverá ser lançado em livro de Registro Genealógico do Criadouro contendo todos os dados do genótipo do padreador e da matriz envolvida em cada cruzamento. Efetua-se a resenha das características que se objetiva conseguir na progênie. Sabemos que não existem curiós geneticamente perfeitos, cada pássaro é composto por boas e más heranças genéticas, portanto selecionamos aqueles portadores das heranças genéticas desejáveis e eliminamos da criação os portadores das heranças indesejáveis, com tais comportamentos estaremos praticando a Seleção do Plantel.

Após efetuarmos no final da estação de cria a seleção de todas as progênies, reservamos as irmães de ninho dos filhotes machos considerados portadores dos fatores desejáveis para cruzarmos no ano seguinte com o pai objetivando a fixação destes fatores. Tal prática nos assegurará após alguns anos a formação do Genótipo previamente planejado e geneticamente estabilizado, podendo ser produzido por várias gerações.

Fonte: Dr.Gilson Ferreira Barbosa E-mail: gilsonferreirabarbosa@hotmail.com

Critérios de Seleção e Conceitos
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A a maioria dos passarinheiros não chega a lugar nenhum em suas criações porque formam mal o seu plantel, efetuam cruzamentos a ermo sem fundamentar os seus objetivos nas características portadas pelos pássaros do plantel e instruem inadequadamente os filhotes. É como tirar "Leite de Pedra". Ora, nós sabemos que as pedras não dão leite. Todo o plantel deve ser formado em função das reais características portadas pelos seus membros e os cruzamentos devem ser efetuados, tomando por base estas características, senão tendemos a nos transformar em meros "Multiplicadores" e nada mais.

Formação do Plantel: devemos identificar os indivíduos do plantel dotados de "Genética para Repetição" (fêmeas e machos). Tal identificação leva alguns anos para ocorrer, pois depende da análise da progênie dos diversos acasalamentos praticados no criadouro e isto leva tempo (para ganhar tempo podemos adquirir pássaros de outro criadouro com esta característica claramente evidenciada). Nas fichas de identificação dos filhotes anotamos se os mesmos possuem "GPR" (Genética Para Repetição) e as formulas matemáticas ou simplesmente frações dos percentuais de sangue com tais características, adquiridas nos cruzamentos F1, F2... F5, tanto do genitor como da matriz (ler artigo Melhoramento Genético I e II). Devemos ainda observar se os filhotes dotados de "GPR" são também dotados de "Genética para Canto Curto ou Canto Longo" (fêmeas e machos) logo acrescentamos à sigla as letras Cc-Canto Curto e CL-Canto Longo, ficando desta forma:

  • GPR-Cc - Genética para repetição canto curto.
  • GPR-CL - Genética para repetição canto longo.

Comentários: Temos observado que muitos filhotes que foram submetidos à VETORIZAÇÃO DE CANTO aos 16 dias de nascidos (dialeto Praia Grande Clássico) vetorizaram apenas fragmento deste dialeto e como possuíam "GPR" passaram a repetir várias vezes o fragmento (quim quim toi - té té - tué tué tué purrr ou algo próximo) do dialeto citado. Tal observação derruba a velha teoria do "FÔLEGO" como condição indispensável para aprender um canto longo. Nestes casos estava presente o fôlego (repetição) e não se verificou a vetorização do canto longo, predominando tal comportamento na maioria dos filhotes produzidos e Vetorizados.

Por muitos anos intrigava-me o fato de apenas alguns poucos filhotes submetidos às mesmas condições aprendiam o dialeto completo (dois movimentos) bem como a repetição do segundo movimento, ou seja "Do Módulo de Repetição".

Daí deduzirmos que tais filhotes eram "Especiais", possuíam algo que os outros não possuíam, então passamos a seleciona-los (embora o assédio do mercado tenha retardado muitas observações, pois, as vendas de filhotes pardos tem sido inevitáveis, e decepcionantes, pois, dado à alta rotatividade da propriedade destes, aliada aos erros de manejo, tais filhotes comercializados ainda pardo estragavam totalmente o seu canto).

Com o cruzamento destes indivíduos selecionados temos verificado uma maior incidência de indivíduos dotados da capacidade de aprender "Canto Longo", logo passei a designa-los de GPR-CL - Genética para repetição de canto longo, e passei a descartar os filhotes dotados de GPR-Cc - Genética para repetição de canto curto. Logo verificamos que o fator Repetição é agregador de valor financeiro e o mercado na maioria das vezes abre mão da qualidade e contenta-se perfeitamente com a repetição de um fragmento de canto, fato este comprovado pela existência das modalidades Praia Grande Simples, Praia Grande Perfeito, Praia Grande Liso etc. Os filhotes dotados de GPR-CL - Genética para repetição de canto longo ficam retidos no criadouro por serem "Perfectíveis".

Após a fase de lapidação do seu canto por volta dos quatorze meses de vida, estão prontos, atingindo alguns um alto nível de perfeição. Tenho produzido alguns destes filhotes, no entanto, entristeço-me ao vê-los meses depois cantando com a incorporação de notas estranhas ao dialeto Praia Grande Clássico e, ao questionar o seu proprietário, na maioria das vezes noto que o mesmo nem percebeu o problema. Acreditamos que selecionar mantenedores de filhotes de curió Praia Grande Clássico se constitui tarefa das mais difíceis, sendo o critério financeiro o único levado em conta pela maioria dos Selecionadores na hora de transferir a propriedade de um Grande Pássaro. Graças a estas nuances é que a criação deste maravilhoso Pássaro envolve tantos "Conceitos".

Podemos observar pelo exposto que a criação para obtenção de filhotes aptos ao aprendizado do Canto Praia Grande Clássico consiste em efetuar corretamente os cruzamentos para estabelecimento do "Genótipo do Criadouro". Selecionamos criteriosamente os indivíduos "Especiais" portadores dos fatores desejáveis e os submetemos à Vetorização do Canto Praia Grande Clássico e Técnica do Confinamento Auditivo e Visual. Processamos as Instruções de Canto com o uso de CD-R de Instrução e efetuamos o controle total das Influências externas e internas durante a produção e lapidação dos filhotes selecionados.

Instrução de Canto: uso de CD-R (CD - Recordable Media)

Introdução: temos observado ao longo dos anos que a substituição da Fita K-7 (doméstica) e do LP (vinil) pelos CD(s) de canto Praia Grande (adquiridos no mercado), e usados nas Instruções de canto a filhotes "Especiais", tem se constituído em um grande avanço qualitativo no ensino de canto, contudo devemos considerar a acentuada falta de interação entre o filhote e a Instrução de Canto. Temos observado que após algum tempo de uso, os filhotes não desenvolvem a interatividade necessária para o aprendizado, tornando-se apáticos e em alguns casos, apresentam distúrbios de comportamento.

Buscando resolver o problema surgiu no mercado uma gama muito grande de equipamentos eletrônicos voltados ao controle e automação das instruções de canto aos filhotes, bem como o controle da periodicidade das instruções sonoras.

Tais equipamentos temporizadores dotados de células fotoelétricas e sensores sonoros propiciaram não só o liga e desliga com a presença e ausência da claridade solar, possibilitaram a periodicidade regular das exposições sonoras e a interrupção das mesmas sem que ocorresse o corte indesejável do canto quando da interrupção da instrução.

Sem dúvida, foi um grande avanço, melhorias foram observadas no aprendizado mediante a utilização racional destes equipamentos, contudo, fazia-se necessário a introdução de avanços também na didática do ensino com o emprego adequado das cantorias de forma a resultar em aprendizado efetivo. Faltava racionalidade e metodologia didática no material fonográfico capaz de compatibilizar de forma gradual o conteúdo das instruções, com a idade e desenvolvimento dos aprendizes.

Dispomos de uma gama muito grande de opções de CDs de excelentes Curiós gravados com tecnologia de ponta e voltados a promoção do Curió que lhes deu origem. Estes CDs foram na sua maioria concebidos com a finalidade de mostrar os dotes canoros portados pelo curió em questão e desprovidos de preocupações didáticas, este fato tem nos levado a prática de adequação do conteúdo dos mesmos aos nossos propósitos dando origem ao CD-R de Instrução.

CD-R de Instrução (CD - Recordable Media): este CD-R de Instrução gravado em computador reúne todas as possibilidades de uso nos mais diversos métodos de ensino desenvolvidos pelos criadores, possibilita a mistura de vários "SELOS" de gravação de um mesmo Curió bem como de curiós diferentes objetivando atender a qualquer metodologia a ser aplicada. Os CD-Rs alem da função didática, desempenham um papel corretivo com gravações de Instruções Corretivas destinadas a corrigirem eventuais defeitos de estrutura de formação de canto, que são vícios adquiridos pelo filhote durante as instruções de canto mediante o emprego do CD-R Básico.

CD-R Básico (Composição e gravação dos arquivos)

O CD-R básico para iniciar a vetorização de filhotes "Especiais" pode ser gravado domesticamente em qualquer computador dotado de Drive de gravação de CD-R. Os Softs que poderão ser usados para gravar e preparar os arquivos Waves são os seguintes:

    1. Studio Wave (este programa é muito fácil de operar e existe em Português. Ele acompanha o Kit Multimídia da Creative);
    2. Cakewalk (este já é um pouco complexo, no entanto é fantástico);
    3. Sound Forge 4.0 ou 4.1 (este é o mais indicado por ser profissional).

Observação: existe uma infinidade deles, todavia utilizo estes três apenas para elaboração de Sonogramas e composição dos arquivos.

Composição dos Arquivos:

Escolhemos o CD promocional de nossa preferência e gravamos mediante o uso do Sound Forge um arquivo com uma cantada completa com mais de 3 (três) repetições, e salvamos no HD.

Composição das Faixas do CD-R:

Faixa - 01 (com três repetições): abrimos no Sound Forge o arquivo salvo no HD e selecionamos com o cursor a partir do segundo módulo de repetição até a penúltima repetição e deletamos, ficando apenas o primeiro movimento do canto com as duas primeiras repetições e a última repetição que é conhecida como canto de saída. O canto de saída (último canto) deve ser preservado em todos os outros arquivos que iremos gravar conjuntamente com o primeiro movimento e o primeiro módulo de repetição.Teremos aí, como resultado uma cantada de Três Repetições contendo o primeiro movimento, dois módulos de repetição e o canto de saída, aí salvamos no HD com o nome de Faixa-01 (com três repetições). Está desta forma concluído o primeiro arquivo que comporá o CD-R de Instrução.

Faixa - 02 (com cinco repetições): para elaborar o segundo arquivo com cinco repetições abrimos o arquivo anterior (Faixa-01) com três repetições e selecionamos com o cursor o primeiro e segundo módulo de repetição e copiamos com "Control C" aí colocamos o cursor no fim do segundo módulo de repetição (entre a última nota Tué e o primeiro Quim do canto de saída) e damos um "Control V" para colar, está pronto o segundo arquivo com cinco repetições, aí salvamos no HD com o nome de Faixa - 02 (com cinco repetições).

Procedemos da mesma forma para criar um arquivo com 8, 10, 12, e 15 Repetições. Criamos um arquivo com uma carretilha (serrada) que receberá o nome de Faixa - 07 e salvamos no HD. Por último vamos ao Sound Forge Barra de Status ícone Proces/Insert Silence e insertamos em um arquivo Novo, 2 minutos de Silêncio com alguns Piados de Fogo e salvamos no HD com o nome de Faixa - 08. Estão prontos todos os arquivos que comporão o nosso CD-R de instrução. Temos o cuidado de colocar todos os arquivos dentro de uma pasta denominada CD-R de Instrução.

Gravação do CD-R Básico: todos os drives de gravação de CD-R acompanham o Software de gravação. Com sua utilização gravamos um CD-R com os arquivos compostos anteriormente, mediante instruções contidas nas caixas verdes, contendo as seguintes faixas:

Faixa Conteúdo
01 03 repetições
02 05 repetições
03 08 repetições
04 10 repetições
05 12 repetições
06 15 repetições
07 01 carretilha
08 02 minutos de silêncio

Está pronto o nosso CD-R de Instrução. Agora é só escolher mediante as teclas Programa, Modo, Repete e as teclas de seleção DOWN ou UP que acompanham todos os bons COMPACT DISC STEREO SISTEM para selecionar as faixas que comporão as diversas instruções de canto compostas a partir das faixas do CD-R de Instrução que acabamos de criar.

Podemos selecionar uma ou mais faixas de acordo com a nossa necessidade e conveniência, e mandar repetir infinitamente dentro de uma ordem estabelecida.

Podemos selecionar a faixa que contem 2 minutos de silêncio 15 vezes consecutivas e inseri-la após a instrução de canto para obter 30 minutos de silêncio e mandar repetir. Este mesmo procedimento poderá ser adotado se tivermos uma faixa de 2 minutos com gravação do som de água corrente, música instrumental ou corrichado de filhotes para estimular a prática do corrichado dos filhotes em época de corrichar.

Como podemos ver, as possibilidades de formação de Arranjos Didáticos de Instrução de canto a filhotes são inúmeros podendo ser ajustados aos mais diversos casos, inclusive aos casos corretivos de vícios adquiridos durante a formação do canto. Outra vantagem do sistema é dispensar investimentos com Timer e outros equipamentos sensores, afastando inclusive o risco de corte de faixas quando o Timer é desligado durante o processo de instrução de canto aos filhotes, bem como a eliminação do desgaste precoce do equipamento com o liga/desliga promovido pelo Timer.

Estas são apenas algumas aplicações dos CD-Rs de Instrução.

Arranjo Didático para Instrução Inicial: sabemos que os filhotes de Curiós vetorizam o canto da espécie entre o 16° (décimo sexto) e 30 (trigésimo) dia de vida, ainda dependentes dos pais.

Sabemos ainda que após a sua Vetorização os filhotes ficam independentes destes e agrupam-se em bandos para exercitarem o corrichado (conjunto de exercícios vocais para desenvolvimento dos músculos seringiais) até o surgimento da muda de ninho que ocorre aos 120 dias de nascido. Após a muda de ninho ou mesmo antes desta surgem os primeiros assovios do canto vetorizado iniciando-se a fase de lapidação, acompanhamento e manutenção efetuada de forma individual, caso a caso, com o emprego dos CD-R de Instrução.

Este pequeno resumo da infância do Curió foi para salientar que esta é a época mais importante da sua vida sobre o aspecto didático, é ai que o canto é vetorizado e desenvolvido adequadamente, portanto devemos nos prender a esta fase decisiva do ensino do canto, pois um descuido nesta fase bota um campeão a perder.

Temos observado que durante a vetorização do canto melhores resultados tem-se conseguido quando não se expõe os filhotes a instruções de canto duradouras e dotadas de muitas repetições de canto. Melhores resultados são conseguidos com instruções breves e descontínuas com cantadas de apenas 3 (três) repetições. As tentativas de uso de apenas uma repetição confundem o Canto de entrada com o Canto de Saída e leva o pássaro a vetorizar os dois movimentos do canto como módulo de repetição ou seja, passa a repetir Entrada de canto e Módulo de Repetição juntos como se fossem ambos o Módulo de Repetição, é portanto aconselhável que se inicie com uma cantada de 03 (três) repetições evitando o vício de incorporar o Módulo de Repetição com a entrada de Canto e usa-los como módulo de repetição. Este defeito de estrutura de canto é facilmente evitado quando se elimina a instrução de Vetorização contendo apenas uma repetição, para depois ministrar Instruções com várias repetições, pois, nem sempre o filhote dotado de genética para repetição e canto longo assimila mudanças extensas na instrução já vetorizada.

Arranjo Básico: é recomendável que se inicie o processo de Vetorização dentro do período aqui preconizado com o seguinte arranjo:

Arranjo Inicial
Faixa Conteúdo
01 03 repetições (módulo básico de vetorização, manter sempre)
08 02 minutos de silêncio
01 03 repetições
08 02 minutos de silêncio
01 03 repetições
07 01 carretilha curta de 3 movimentos
08 02 minutos de silêncio
15 faixas de dois minutos
totalizando 30 minutos de silêncio
08 02 minutos de silêncio
08 02 minutos de silêncio
08 02 minutos de silêncio
08 02 minutos de silêncio
08 02 minutos de silêncio
08 02 minutos de silêncio
08 02 minutos de silêncio
08 02 minutos de silêncio
08 02 minutos de silêncio
08 02 minutos de silêncio
08 02 minutos de silêncio
08 02 minutos de silêncio
08 02 minutos de silêncio
08 02 minutos de silêncio

Observação: os melhores resultados tem sido alcançados com a pratica deste Arranjo de Vetorização sendo substituído por outros à medida que o filhote se desenvolve e apresenta algum vício de estrutura ou incorporação de notas parasitas necessitando de correções específicas. Caso desenvolva-se sem problemas, e passe a cantar com duas ou três repetições, passamos a introduzir uma cantada de 05 (cinco) cantos em substituição a última das 03 (três) cantadas de 03 (três) repetições. Quando apresentar três ou mais repetições, substituímos uma das 2 (duas) cantada de três repetições por uma de oito, sendo que em todos os arranjos deverão constar pelo menos uma cantada de 3 (três) cantos que não deve ser substituída por ser o Módulo Básico de Vetorização, é como se mantivéssemos sempre o canto aprendido do pai, daí por diante podemos acrescentar mais cantadas com 10, 12 e 15 repetições, contudo sem excluir nenhuma das anteriores. Ficando a Instrução de manutenção inicialmente com o seguinte arranjo.

Arranjo de Manutenção
Faixa Conteúdo
01 03 repetições (faixa de vetorização, manter sempre em todos os arranjos)
08 02 minutos de silêncio
02 05 repetições
08 02 minutos de silêncio
03 08 repetições
08 02 minutos de silêncio
07 01 carretilha curta de 3 movimentos
08 02 minutos de silêncio
15 faixas de dois minutos
totalizando 30 minutos de silêncio
08 02 minutos de silêncio
08 02 minutos de silêncio
08 02 minutos de silêncio
08 02 minutos de silêncio
08 02 minutos de silêncio
08 02 minutos de silêncio
08 02 minutos de silêncio
08 02 minutos de silêncio
08 02 minutos de silêncio
08 02 minutos de silêncio
08 02 minutos de silêncio
08 02 minutos de silêncio
08 02 minutos de silêncio
08 02 minutos de silêncio

Observação: com o evoluir da Técnica vamos adquirindo experiência ao tempo em que os filhotes vão aprendendo, e nós também.

Correções se fazem necessário a todos os momentos embora, após alguns anos na "Lide" desenvolvemos o "olho clinico" da experiência e aprendemos a identificar os problemas que geralmente se repetem a cada ano, juntamente com as soluções.

Fonte: Dr.Gilson Ferreira Barbosa
E-mail: gilsonferreirabarbosa@hotmail.com

Confinamento Visual do Curió
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Técnica do confinamento visual

1- Método para preparo dos curiós de canto praia grande clássico:

A capa é sem dúvida um dos acessórios da maior importância na criação de CURIÓS, não só pela proteção que ela propicia ao pássaro em relação às influências de origem física e visual do espaço exterior durante o manejo, mas pela condição de segurança psicológica que ela desenvolve no pássaro produzindo o condicionamento necessário à simples remoção da mesma provocar O DESENCADEAMENTO DA ABERTURA DO CANTO DA AVE. Esta prática libera os estímulos condicionados e desenvolvidos pelo uso correto e sistemático da capa, criado pelo momento de quebra da ROTINA E MONOTONIA provocadas pelo condicionamento visual e luminoso imposto pelo uso da capa. O momento da remoção provoca o aumento da luminosidade e a liberação da visualização do espaço exterior elementos estes (luminosidade e visualização) necessários e suficientes para ativar os estímulos que provocam a abertura do canto e funcionam baseados na mudança do estado a que a ave encontra-se adaptada. Esta mudança induz na ave uma nova situação de comportamento à medida que a ela é dada a condição de visualização do espaço exterior, e como resultado, ABRE O SEU CANTO anunciando ao mundo exterior (que lhe é mostrado) a sua presença e tenta estabelecer os seus domínios. ABRINDO O CANTO, o Curió verifica a existência da presença de um outro nas proximidades. Após um período de 06 (seis) dias de CONFINAMENTO VISUAL (encapagem) a gaiola deve ser conduzida ao exterior, procedendo-se à remoção cuidadosa da capa, (deve-se levar em conta que a ave fica muito mais sensível e ativa com seus mecanismos de observação bem mais aguçados) e penduramos a gaiola em local costumeiro e adequado a tal fim e aguardamos a abertura do canto durante 05 (cinco) minutos. Ocorrendo a abertura do canto neste período, observamos a relação existente entre o tempo em que a ave leva cantando e os espaços intercalados entre as cantadas buscando identificar o momento em que a ave começa A CAIR DE PRODUÇÃO (o tempo intercalado entre as cantadas passa a ser maior do que o tempo cantando) a partir da queda de produção o curió (se não for provocado pelo canto de um outro) perde cada vez mais o estímulo adquirido pelo CONFINAMENTO VISUAL e tende a parar de cantar voltando ao estágio em que se encontrava antes do uso da técnica aqui descrita.

Ao identificar o momento em que o curió começa a cair de produção, a gaiola deve ser removida cuidadosamente do gancho e encapada, sendo em seguida transportada para o interior da residência do criador (ou veículo) e pendurada em local costumeiro. O Curió durante o período em que se encontra encapado não canta, ou melhor, não deve cantar, não deve ser estimulado a cantar com outro pássaro pois estimula-lo a cantar encapado pode comprometer todo o trabalho que está se desenvolvendo. O tempo de exposição recomendado durante o período em que se está desenvolvendo o condicionamento não deve ultrapassar a 30 (trinta) minutos mesmo que o pássaro não demonstre queda de produção.

Mantém-se o curió em regime de CONFINAMENTO VISUAL constante, propiciando a remoção da capa periodicamente tornando com o decorrer do tempo as remoções diárias. Estes procedimentos não podem sofrer alterações nem variações no seu ritual sobre pena do criador não conseguir estabelecer a rotina do CONDICIONAMENTO PSICOLÓGICO DA AVE, os procedimentos aqui descritos devem ser seguidos rigorosamente para que se alcance os resultados desejados.

A gaiola não deve ficar pendurada desencapada por período superior aos recomendados sobre pena de comprometermos todo o trabalho anteriormente desenvolvido, tal atitude rompe a rotina de condicionamento a que a ave está sendo submetida.

Não ocorrendo à abertura do canto no tempo regulamentar 05 (cinco) minutos, o pássaro deve ser cuidadosamente removido do gancho e a gaiola encapada, sendo transportada para o interior da residência do criador ou veículo, permanecendo confinado por novo período de 06 (seis) dias, quando repetimos o processo até que ocorra a abertura do canto e se estabeleça o momento em que a ave começa a CAIR DE PRODUÇÃO. Durante as exposições visuais não devemos usar nenhum recurso para estimular a ave a abrir o canto, tais como outro curió, reprodução do canto por quaisquer meios tais como Discos, Fitas k-7, CD (s), ou mesmo assobios, estalar de dedos ou lábios produzidos pelo criador, o curió deve abrir o canto mediante os estímulos desenvolvidos pela prática do CONFINAMENTO VISUAL.

O criador observará durante as primeiras exposições que a ave desenvolverá uma sensibilidade muito grande em relação a tudo que se move ao alcance da sua visão tal como pardais, lagartos nos muros, borboletas, libélulas etc. respondendo às vezes com a emissão de assobios ou serradas ou com a interrupção da cantada que estava executando o que demonstra ser tal comportamento um bom sinal de que o método esta sendo assimilado e verificamos aí o surgimento do comportamento INTERATIVO.

O curió estará PRONTO (em forma) ou seja, devidamente desenvolvido, quando responder a remoção da capa COM A IMEDIATA ABERTURA DO CANTO sem que se tenha usado quaisquer meios para estimulá-lo e apresente no mínimo 30 (trinta)minutos de AUTONOMIA DE CANTO sem apresentar QUEDA DE PRODUÇÃO . Mantemos o Curió interativo daí por diante, submetendo-o a exposições diárias (Remoção da Capa) durante 30 (trinta) minutos de preferência pela manhã. Se o Curió possui aptidão para repetição de canto, ou é um repetidor (executa o Módulo de Repetição cinco ou mais vezes com muita freqüência), não devemos colocá-lo em nenhuma hipótese para disputar canto com outras aves, sobre pena de tornar-se dependente de tal prática para se estimular (ficar fogoso), bem como poderá adquirir vícios durante a disputa se os companheiros não forem dotados do mesmo dialeto, e se não cantarem com a mesma perfeição.

O QUE FAZER?

QUANDO O CURIÓ NÃO RESPONDE SATISFATORIAMENTE AO MÉTODO DE CONFINAMENTO VISUAL E NÃO SE TORNA INTERATIVO.

Alguns Curiós não INTERAGEM não abrem o canto por mais que se submetam ao método descrito, ou apresentam pouca evolução. Mantêm-se indiferentes aos esforços do criador. Tal fato possui explicação na GENÉTICA DO PÁSSARO em questão, ou no CALENDÁRIO DA AVE. Busca-se modernamente na CRIAÇÃO DOMÉSTICA INTENSIVA a reprodução de pássaros interativos selecionados segundo os seus melhores CARACTERES GENÉTICOS e dentre eles O TEMPERAMENTO tem a preferência da maioria dos criadores e não devemos aplicar o método em curiós fracos de TEMPERAMENTO.

Sendo o Curió ave TERRITORIALISTA por excelência o TEMPERAMENTO INTERATIVO é indispensável no desenvolvimento de qualquer atividade que envolva Competição com o uso do canto. A INTERAÇÃO é ponto de partida para o desenvolvimento de qualquer atividade que envolva os Curiós, portanto o método de CONFINAMENTO VISUAL desenvolvido aqui não se aplica a CURIÓS FRIOS ou temporariamente nestas condições por motivos diversos, tais como Muda de Penas , Acidente de Manejo, Uso Inadequado de Fêmeas, Incompatibilidade territorial doméstica etc.

O calendário da ave deve ser observado pois nada adianta a aplicação do método aqui descrito em curiós que esfriou para TROCAR DE PENAS ou encontra-se em fase DE ENXUGAMENTO DA MUDA .

Pássaros debilitados, apáticos ou com temperamento retraído temporariamente por motivo de esgotamento provocado por exposições prolongadas em disputas de fibra, não devem ser submetidos ao método aqui desenvolvido. Devemos esperar que recuperem A AUTO CONFIANÇA perdida com o relaxamento do temperamento, (frouxidão) ou reabilitação do estado de saúde em pássaros debilitados por motivos diversos tais como:

Repasse de muda mal feita ou mesmo repetição total da muda que acaba de concluir (ambos os casos provocados por manejo inadequado).

2- Vetorização de filhotes:

Uso do confinamento visual para o ensino de dialetos: ao completarem 30 (trinta) dias de nascidos os filhotes de Curió devem ser apartados definitivamente do convívio da MÃE. É prática corriqueira entre os bons criadores o uso do PAI apenas como Padreador (galador) não tendo nenhuma participação no processo de cria dos filhotes nem no processo de instrução do dialeto (canto) que será ensinado mediante o uso de Disco, Fita K-7, ou CD de um curió de CANTO CLÁSSICO de preferência do criador.

Tal procedimento repousa no fato de que os filhotes que recebem instruções do Pai ou de outros Curiós aprendem as qualidades mas também as manias e defeitos do pássaro instrutor. Com o uso de material fonográfico só aprenderão as qualidades pois o material passou previamente por RIGOROSA SELEÇÃO.

Os filhotes nesta idade já se alimentam satisfatoriamente sozinhos e os machos já ensaiam os primeiros CORRICHOS. É a ÉPOCA DO CORRICHAR. Os filhotes que iniciam o CORRICHAR com certeza são machos e terminarão por exercerem liderança no recinto devendo ser separados dos demais imediatamente para GAIOLAS ENCAPADAS DE ISOLAMENTO, ou seja, retirados do recinto onde se encontram os demais filhotes. Os primeiros filhotes a corrichar geralmente possuem melhor TEMPERAMENTO e se desenvolverão com mais rapidez, não significando no entanto que os filhotes que não corricharem sejam obrigatoriamente fêmeas podendo ainda haver machos no recinto que só CORRICHARÃO bem mais tarde por possuírem temperamento diferenciado dos demais, e não estarem mais submetidos a liderança dos primeiros, necessitando de um tempo para se recuperarem.

Impressão e vetorização:

Definição: vetorização, é o nome que damos ao resultado canoro conseguido através do estado psicológico condicionado resultante da atuação de forças sonoras, instrução do dialeto da espécie (família), ou situações sonoras exteriores, impressas pelos órgãos dos sentidos, em momentos geneticamente pré-estabelecidos para memorização do dialeto da espécie (família). Ex: O filhote foi vetorizado com o canto Praia Grande Clássico. A afirmativa diz respeito, a que tal filhote (ainda na fase do corrichar) na época apropriada irá assobiar tal dialeto que se encontra latente, pois o mesmo encontra-se Vetorizado nele, tornando-se para o resto de sua vida portador de tais informações, a não ser que herança genética de fatores específicos o faça trocar de dialeto durante a vida adulta. Alguns curiós (casos raros) são dotados geneticamente de uma capacidade de adaptação ao meio ambiente extraordinária, possuindo inclusive mais de um dialeto são os Poliglotas, conhecidos também como Cabeças Moles, dotados de funções genéticas específicas dento da malha territorial de determinada região aonde é muito comum por motivo de enchentes dos rios e Várzea a Migração para outras regiões.

3- Processo de vetorização do canto em filhotes:

Introdução: durante o período de incubação dos ovos o embrião se desenvolve sob a ação do calor e da umidade para formar o novo ser, que só estará em condições de eclosão aos 13 (treze) dias depois da postura do primeiro ovo. Durante este período ocorre a MITOSE que é a multiplicação das células para formar o novo ser e com ele os sistemas de percepção tais como visão, audição etc.

A crença difundida entre os criadores de que os filhotes memorizam as instruções de canto recebidas ainda dentro do ovo é TOTALMENTE EQUIVOCADA não possuindo nenhuma BASE CIENTÍFICA, carecem de comprovação pois os órgãos responsáveis pela percepção ainda estão em formação, o que leva a seguinte pergunta.

Como pode um órgão funcionar sem estar completamente formado? Criadores que submeteram fêmeas durante a incubação a exposições fonográficas com a colocação de alto-falantes sobre as gaiolas, só conseguiram ESTRESSAR as fêmeas e todo o progresso de aprendizagem conseguido veio depois que os filhotes abandonaram o ninho, só que não tiveram meios para demonstrar tal fato e a crença se estabeleceu.

Podemos comprovar com uma infinidade de exemplos que o processo de aprendizagem de determinado DIALETO se estabelece a partir de certos conhecimentos na sua maioria de difícil percepção e constatação por parte dos criadores por diferentes motivos tais como:

    1. O filhote é produzido dentro de determinadas condições, (técnicas utilizadas por certo criador) e submetido a influências externas e internas ao criadouro tais como canto de Pardal, Lavandeira, Garrincha, Papa-Capim, Assanhaço Canário Belga do vizinho etc;
    2. O filhote é produzido genericamente sem maiores cuidados e submetido a exposições canora de vários curiós no interior do criadouro durante inclusive a cobertura de outras fêmeas, mais exposições fonográficas (prática muito comum em todos os bons criadouros de prateleira) proporcionando uma vetorização descontrolada e desordenada de vários fragmentos de dialetos distintos inclusive o canto da mãe e das fêmeas das gaiolas vizinhas;
    3. O filhote é produzido dentro de rigoroso controle de qualidade, mais por falta de espaço no criadouro é removido para outros locais aos cuidados de terceiros, quando não fica estocado junto com outros filhotes inclusive fêmeas sem maiores critérios aguardando comercialização;
    4. O Filhote é produzido pela cobertura do Curió que se encontra em melhores condições para faze-la, muitas vezes não possuindo qualidades que o credencie para tal tarefa. A cobertura é feita para aproveitar a Fêmea que no momento "pede gala" (solicita Cópula);
    5. O filhote finalmente é vendido com 30,60 e até 90 dias de nascido após passar por um período caracterizado por todo tipo de influências e vetorização descontrolada conforme vimos, no momento em que mais precisava de cuidados para VETORIZAR o seu canto sem conturbações. Mas, apesar do exposto terá sem dúvida um novo dono, que por mais bem intencionado que seja precisa possuir conhecimentos sobre a condução do canto do filhote recém adquirido o que, na maioria das vezes não acontece e lamentavelmente aquele filhote estará perdido para Torneios de Canto em que sejam exigidos princípios básicos de qualidade de formação de dialeto. Como vimos, é impossível um controle do criador para poder afirmar em que fase ou momento da produção ocorreu A VETORIZAÇÃO DO DIALETO (memorização do Canto ensinado e que jamais será esquecido pelo curió salvo situações genéticas ainda pouco estudadas pelos criadores pesquisadores e carentes de comprovação como é o caso dos Poliglotas).

O processo de percepção da eficácia deste ou daquele método empregado pelo criador divide-se em duas etapas distintas:

    1. Primeira Etapa Produzir bem em ambiente condicionado à técnica da reprodução dirigida a vetorização de determinado dialeto;
    2. Segunda Etapa Desenvolver bem em ambiente condicionado ao aprimoramento do dialeto vetorizado na fase de reprodução.

É indispensável por parte do criador o acompanhamento de todas as fases da criação para que possa aferir a todo o momento a eficácia de seus métodos e possíveis correções de rumo a partir da observação de resultados positivos ou negativos inclusive o conhecimento do ambiente em que se desenvolve este ou aquele filhote após a sua comercialização, já que o ambiente é fator determinante da qualidade e do bom desenvolvimento. Tal acompanhamento quase sempre não ocorre, muito menos o conhecimento do ambiente em que se desenvolvem os filhotes, encerrando a participação do criador produtor no ato da comercialização o que lamentavelmente favorece a perpetuação de erros e difusão de praticas equivocadas ocasionando um número muito grande de FILHOTES INÚTEIS PARA CONCURSOS E TORNEIOS.

Expusemos antes de desenvolver a TÉCNICA DE ENSINO DE DIALETO A FILHOTES(VETORIZAÇÃO) alguns aspectos importantes da produção, que na sua maioria são os responsáveis pelo fracasso dos mais variados métodos sistemáticos de ensino de canto a filhotes, tornando tal prática desprovida de qualquer confiabilidade dos resultados. Entretanto, temos praticado juntamente com alguns criadores do Sul da Bahia, as técnicas aqui descritas com o controle dos aspectos aqui mencionados com bons índices de aproveitamento no ensino do canto Praia Grande Clássico. Salientamos ainda a constatação do nascimento de filhotes em ambiente Praia Grande Clássico que foram vetorisados com tal canto, e comercializados com aproximadamente 30 (trinta) dias de vida para desenvolverem-se em ambiente Paracambi com a utilização de diversos métodos de instrução inclusive o uso de Curiós Mestres Paracambis. Ao encerrarem a fase do corrichar assobiavam notas do canto Praia Grande, fato que motivou o retorno dos mesmos ao ambiente Praia Grande Clássico para se desenvolverem e se constituíram em excelentes cantores do estilo Praia Grande Clássico.

Tal fato, após ter sido verificado com vários filhotes e monitorado por vários criadores passou a nortear as ações de instrução. Efetuou-se a VETORIZAÇÃO Paracambi em determinado filhote que após 30 (trinta) dias foi apartado dos pais e transferido para outra localidade recebendo instruções Paracambi, ao fim da fase do corrichar o filhote assobiava notas deste canto e se constituiu um bom cantor Paracambí. Desenvolvemos diversos experimentos ao longo de vários anos objetivando a comprovação de um longo quadro de hipóteses referenciais, constatando a eficácia dos métodos e procedimentos aqui expostos.

4- Método do confinamento visual e auditivo:

Caracteres desejáveis do filhote: deve ser comprovadamente filho de Curió de excelente TEMPERAMENTO (fogoso) possuidor de CANTO LONGO, BOA VOZ e REPETIDOR DE CANTO devendo já ter transmitido tais caracteres aos filhotes de ninhadas anteriores.

Deve ser comprovadamente filho de Curiôa de excelente TEMPERAMENTO (fogosa) filha de curió possuidor de BOA VOZ CANTO LONGO, e REPETIDOR DE CANTO e já ter transmitido tais caracteres a filhotes de ninhadas anteriores.

Após o nascimento do filhote em questão, mais precisamente no 16º (decimo sexto) dia de nascido ou seja 3º (terceiro) dia após a saída do ninho (momento em que ocorre a manifestação dos INSTINTOS SELVAGENS do pássaro e ele perde a ingenuidade característica dos NIDÍCOLAS), momento em que o filhote fica arredio, arisco, (NIDÍFOGA) e tenta fugir da presença do criador, atentando contra as grades da gaiola, é neste momento que devemos iniciar o processo de VETORIZAÇÃO do dialeto mediante a implantação do método de CONFINAMENTO ÁUDIO E VISUAL ainda em companhia da mãe.

5- Confinamento auditivo e visual:

Método de vetorização do dialeto: conduzimos a gaiola da fêmea para um recinto aonde as influências externas são totalmente eliminadas (ausência total de qualquer tipo de manifestação sonora) exceto a exposição sonora do DIALETO que se pretende vetorizar denominada de INSTRUÇÃO, executada através de equipamento CD-Player Programável ou Toca Fitas Auto Revese de excelente qualidade sonora, com exibições controladas por TIMER em número de 03 ou 04 exibições diárias com duração de no máximo 15 (quinze) minutos cada e intercaladas por pialadas e chamados entre cantadas, distribuídas da seguinte forma e horários:

  • Das 05:30 (Cinco e trinta) horas às 05:45 (Cinco e quarenta e cinco) horas da manhã;
  • Das 07:00 (Sete) horas às 07:15 (Sete e quinze) horas da manhã;
  • Das 09:00 (Nove) horas às 09:15 (Nove e quinze) horas da manhã;
  • Das 17:00 (Dezessete) horas às 17:15 (Dezessete e quinze) horas da tarde.

Os espaços compreendidos entre as exibições serão preenchidos com a utilização de um rádio sintonizado em emissora FM com volume moderado tendo como finalidade provocar o estímulo canoro do filhote e ao mesmo tempo criar uma dinâmica sonora no ambiente intercalada por falas do locutor quebrando a monotonia do confinamento, evitando que o filhote se interesse por eventuais influências sonoras que por ventura penetrem no ambiente. O volume do rádio não deve exceder a certos limites, pois há uma tendência dos filhotes tentarem suplantar o volume do rádio transformando-se no decorrer do tempo em verdadeiros gritadores o que prejudicaria a formação do seu timbre, estragando para sempre o seu canto por adquirirem tal hábito. Recomendamos como ideal o uso de gabines com tratamento acústico ou Caixas de Vetorização de Canto também com tratamento acústico e tampa em vidro duplo montado sobre borracha de Silicone e ventilação a compressor de ar, deve ainda ser dotada de Alto Falantes com TWEETER. (usamos o da linha Automotive ARLEM SUPER DOME 4 ohms 240 Watts Mod. 570G com magnífico resultado). O uso de caixas de Vetorização carece de estudos à parte, o que não é o objetivo deste artigo pois se não forem verificados corretamente os aspectos quanto a umidade, temperatura, pressão interna da caixa Stress Etc. a ave poderá entrar em muda de penas o que seria um desastre.

Ao completarem 30 (trinta) dias de nascidos os filhotes são separados do convívio da mãe que retornará ao criadouro para produzir a próxima ninhada ou se durante a cria dos filhotes ocorrer da fêmea solicitar a cópula (pedir gala) os filhotes devem ser temporariamente removidos da gaiola de criação para um recinto seguro enquanto a cobertura da fêmea é efetuada longe da presença dos filhotes que em nenhuma hipótese devem ouvir o canto e as serradas do Padreador durante a cópula sobre pena de inutilizarmos os filhotes. Logo em seguida retornamos os filhotes ao convívio da mãe que fará a postura e iniciará a incubação dos ovos sem negligenciar a sua tarefa de alimentar os filhotes separados por grade divisória.

6- Apartação: aos 30 (trinta) dias de nascidos:

Os filhotes são apartados da mãe em gaiolas individuais e encapados permanecendo no mesmo regime em que se encontravam anteriormente. Agora, sem a presença da mãe, inicia-se o CORRICHAR.

Procede-se em seguida a SEXAGEM, permanecendo no recinto apenas 01 (um) macho ou em caso de 02 (dois) machos na ninhada, o de melhor temperamento. Em nenhuma hipótese o filhote em questão deve ouvir ou trocar canto com outros filhotes. O ensino é individualizado por questões Territorialistas, e da busca do aprendizado com a máxima perfeição, sendo ainda que, os filhotes que aprendem a cantar em pequenos grupos adquirem uma série de hábitos indesejáveis, tais como abrir o canto e logo em seguida interrompê-lo para escutar a resposta do companheiro. Estabelecido este vício ficam inutilizados para sempre, o grupo não desenvolve o caractere repetição e passa a emitir apenas fragmentos do dialeto ministrado no afã da disputa que se instala entre eles por QUESTÕES TERRITORIALISTAS.

O filhote que submetemos ao método de CONFINAMENTO AUDITIVO E VISUAL VETORIZAÇÃO após a apartação já tem memorizado todo o dialeto contido nas instruções, ou seja, O CANTO ESTÁ VETORIZADO e como a encapagem da gaiola lhe tira a visão, tal fato o leva a aguçar a audição (fenômeno este muito conhecido entre os deficientes visuais) buscando dar conta do que acontece no ambiente onde se encontra confinado, emitindo chamados ao menor movimento no recinto. A partir deste ponto passamos a ter o máximo de rendimento do método, mais também o máximo de cuidado com eventuais invasões sonoras indesejáveis no ambiente. Continuamos com as instruções nos horários anteriormente estabelecidos, bem como a utilização do rádio que pode ter o seu volume um pouco aumentado tendo em vista o aguçamento auditivo do filhote e, possibilidades de contaminação sonora vinda do exterior.

Com o crescente desenvolvimento do corrichar o criador tende a submeter o filhote a um maior número de instruções e exposições mais duradouras.

Tal tendência deve ser controlada sob pena de inutilizarmos o filhote, pois o excesso de instruções nesta fase é totalmente desaconselhada, tendo em vista que o filhote já foi vetorisado. Precisa-se apenas nesta fase exercitar-se estimulado pelo som do rádio (na natureza os filhotes nesta fase buscam os cursos dos rios e cachoeiras para estimular-se à prática do corrichado) para desenvolver a SIRINGE (órgão responsável pela fonação) Preparando-se para o surgimento dos primeiros assobios, a intensificação de instruções nesta fase provocará a total inibição do corrichar com o estabelecimento do medo desinteressando-se pelo aprendizado e em casos mais graves se instala a injúria da plumagem (auto depenação). O filhote deve ser mantido rigorosamente dentro do esquema previamente estabelecido.

O ambiente em que mantemos o filhote (quando não usamos gabines ou caixas de vetorização) deve ser relativamente confortável, bem arejado, desprovido de correntes de vento, umidade excessiva tais como banheiros cozinhas e em nenhuma hipótese deverá ter as paredes revestidas de azulejo, cerâmica ou pastilhas pois tais ambientes não absorvem o som (por serem revestidos com material refletivo e não absorvente) das ondas sonoras provocando eco (reflexão da onda acústica pelas paredes) e reverberação (persistência de um som num recinto limitado, depois de haver cessado a sua emissão pela fonte sonora). A conseqüência direta é a má formação do timbre, com a metalização da voz do filhote, dotando-o de um timbre com testura irritante, com a eliminação da maviosidade e maciez. (perde o veludo da voz).

O ideal seria um ambiente revestido com cortinas, se possível paredes revestidas de manta de espuma de nylon ou qualquer material absorvente sonoro. Aos 03 (três) meses ou próximo desta idade o filhote confinado inicia a emissão dos PRIMEIROS ASSOBIOS e em 15 (quinze) dias já está com o canto (ou o que ele estiver executando como canto) completamente limpo de CORRICHADOS. O canto a partir desta data será composto apenas por assobios inicialmente acelerados e meio descoordenados (dizemos que o canto está turbado) o que vai se ajustando com o passar dos dias. O filhote apresenta-se bastante agitado, muito nervoso irritando-se com muita freqüência, principalmente com o dorminhoco (pequeno poleiro alto da gaiola) efetuando com freqüência uma espécie de vôo giratório em torno da extremidade do dorminhoco com emissão de sons que se assemelham a um CHILREADO que acompanha os movimentos circulares (três a quatro voltas completas e contínuas no ar) que se assemelham ao pairar de um beija-flor em visita a uma flor, só que no caso em questão a extremidade do dorminhoco faz às vezes da flor e o filhote gira voando em torno da extremidade, Tal movimento é conhecido entre os criadores que usam o método com o nome de BEIJA-FLOR .(Não confundir com Salto Mortal LOOPED Etc.).

Neste estágio, passamos a ministrar a instrução apenas duas vezes por dia (início e fim do dia), tomando por base a prática do método, temos verificado que os filhotes não suportam a massificação das instruções e se estressam retraindo-se, comprometendo todo o desenvolvimento da ALTO CONFIANÇA no momento em que começa a ter as primeiras experiências com o canto. As conseqüências são as piores possíveis pois, com instruções desnecessárias ocorre o desinteresse total do filhote e se estabelece o medo.

Neste estágio o canto já se encontra vetorisado precisando apenas ser exercitado com tranqüilidade e moderação para que tenha um bom desenvolvimento.

Ministrar instruções Longas e demoradas, nesta fase do ensinamento, estabelecerá Aspectos Territorialistas no filhote tais como disputas de canto com a instrução. Tal fato leva o filhote a fragmentar suas emissões de canto inibindo totalmente o processo de aprendizagem e repetição, quando não afeta o estado psicológico com o estabelecimento do medo causando danos irreversíveis tais como: Destruição do Temperamento (com abertura de asa constante), Auto Depenação, (arrancamento das penas pela ave) Afinamento (imobilização da ave no poleiro por longos períodos e Stress).

O filhote, em nenhuma hipótese, deve deixar o recinto de confinamento sobre quaisquer pretextos, e muito menos a capa ser removida; em nenhuma hipótese deve tomar conhecimento do mundo exterior para não dividir a sua atenção com o que acontece lá fora, nesta fase qualquer manejo da gaiola pode provocar a estimulação do temperamento levando o filhote a um estado de agitação e nervosismo que prejudicará todo o trabalho em desenvolvimento pois o manejo precoce pode desencadear o processo de repetição do canto antes que ele se forme completamente levando a ave a só cantar fragmentos não mais se interessando pelo aprendizado, e pior ainda estabelecer o hábito de repetir um fragmento de canto. O estado de agitação e nervosismo, (enfezamento, foguiamento precoce, engazopamento, enfoguetamento não importa o termo regional utilizado) que acometem filhotes de excelente procedência, o leva a externar de forma exagerada, um temperamento fortíssimo que conduz o filhote a uma fluência canora super abundante e exaustiva, provocando um cantar sem limites, levando o filhote a um estado de rouquidão irreversível quando não o derruba do poleiro num ataque fulminante que lhes ceifa a vida.

Registro aqui o fato de que alguns filhotes da raça ESTRELA (raça de curiós desenvolvida por criadores do Sul da Bahia) interromperam o corrichado entre 45 (quarenta e cinco) e 60 (sessenta) dias de apartação da mãe, iniciando precocemente a fase de limpeza do canto com emissões de assobios. Tal fato, embora muito desejável por parte dos criadores, tem acarretado uma gama muito grande de problemas pois a SIRINGE (órgão responsável pela fonação) necessita de no mínimo 90 (noventa) dias de corrichado para poder se desenvolver e executar assobios com a fluência e intensidade característica desta raça de excelentes curiós que se desenvolve no Sul da Bahia. Valho-me do conhecimento de enumeros casos ocorridos entre nós sendo que o de rouquidão tem sido muito freqüente. Os filhotes aqui referidos começam a assobiar de maneira exaustiva e ininterrupta, apresentando volume de emissão de canto e fluência excepcionais sobrecarregando a SIRINGE que não estando completamente desenvolvida começa a apresentar problemas que vai desde a rouquidão (com a perda da afinação e em seguida da voz) até a morte do filhote.

Em tais casos o filhote deve ser contido a qualquer custo, deverá ser conduzido a local onde predomine a penumbra (ausência parcial de luz) e desativado todos os meios e recursos de estimulação do canto tais como: sons produzido por rádio, reprodução de instruções através de quaisquer meios, predominando o silêncio absoluto inclusive a eliminação de quaisquer influências externas, em especial o canto de outro pássaro, devendo predominar a tranqüilidade e o silêncio absoluto mesmo que em último recurso tenhamos que coloca-lo cara a cara com um outro filhote fêmea , de idade semelhante, durante o tempo que se fizer necessário para a recuperação dos danos por ventura já causados na SIRINGE ou por prevenção. Em casos de lesão a SIRINGE, (rouquidão do filhote) ministrar no bebedouro água potável com pequenos pedaços de casca desidratada da fruta ROMÃ, (fruto da romãzeira) que tem dado bons resultados. Não exagerar na quantidade de casca, pois a mesma produz rapidamente tintura amarelada na água com um forte amargor. O tratamento deve ser suave e durar até cessar a rouquidão. Lesões da SIRINGE em filhotes por exaustão, tem sido uma preocupação constante entre os criadores da raça ESTRELA.

Ao atingir os 04 (quatro) meses de idade o filhote já emite todo o dialeto ensinado, apresentando algumas dificuldades tais como a emissão em demasia de determinadas notas ou a eliminação de outras, verificando-se com freqüência no caso do Canto Praia Grande Clássico uma desordem na estrutura do canto por ser muito extenso e variado.

Alguns filhotes negam a entrada de canto, ou primeira parte do canto, outros os arremates batidas de praia, outros ainda, fazem uma confusão generalizada. Tudo depende especificamente de cada um, de uma maior ou menor capacidade de assimilação, sendo que algumas características estão sempre ligadas a outras, ou seja uma característica provoca o surgimento de outra, é a causa gerando um efeito. Vejamos, os filhotes que apresentam o canto bastante desordenado geralmente são muito fluentes e emitem com muita rapidez e facilidade tríades (conjunto de três notas) que predominam no canto Praia Grande propiciando a confusão a que me refiro, pois bem, tais filhotes são geralmente os que irão repetir canto pois a fluência associada ao fôlego são condições indispensáveis para tal fim.

Os filhotes que emitem demasiadamente certas notas o fazem porque ainda não automatizaram a emissão correta do canto e tendem a executa-lo todo em tríade (conjunto de três notas) não observando os conjuntos de duas notas (dual) que eles executam como tríades acrescentando uma nota a mais. Temos observado que certa deficiência ocorre por excesso de determinada qualidade, os filhotes apresentam tendências das mais variadas, compete ao criador identifica-las e dosa-las buscando a formação correta do dialeto. Aí começa a etapa de lapidação do canto que deve ser analisada caso a caso.

7- Lapidação do Canto:

E em função do desenvolvimento de cada filhote, o dialeto ministrado, deve sofrer a todo o momento avaliações, no sentido de se efetuar correções na instrução que vem sendo ministrada pelo criador, objetivando corrigir esta ou aquela tendência que o filhote apresenta naturalmente à medida que se desenvolve.

As tendências a vícios são uma constante, surgindo ai um novo e complexo universo de variáveis a serem identificadas, precocemente. Os filhotes manifestam as mais variadas tendências, tais como um maior ou menor interesse por certas notas do canto ou até mesmo desinteresse por este ou aquele trecho, tendendo a acrescentar ou suprimir notas ao dialeto vetorisado. Corrigimos a todo o momento as mais variadas tendências ou distúrbio apresentado pelo filhote a tempo ou seja ,ao identificar a tendência aplicamos imediatamente a correção, evitando a sua fixação e automação o que tornaria um vício impossível de ser corrigido mais tarde. Recomendo a utilização de um sistema de microfone de lapela no interior da Caixa de Vetorização ligado a um gravador a onde K-7(s) poderão ser produzidos periodicamente para avaliações).

Temos para tal finalidade lançado mão do uso da informática com a utilização de Software que nos permitem gravar e acompanhar passo a passo o desenvolvimento dos filhotes bem como proceder estudos comparativos cronológicos, com o uso dos SONOGRAMAS (diagramas elaborados por computador ) que nada mais é que a impressão das ondas sonoras imitidas pelos filhotes durante a execução do canto.

Tal recurso nos permite a qualquer momento, efetuar estudos comparativos de avaliação de todas as emissões canoras do filhote em questão ao longo do processo de desenvolvimento do dialeto, bem como, interferir nas gravações eliminando ou acrescentando elementos sonoros visando a exposição sonora das mesmas como forma de correção das deficiências identificadas e corrigidas através dos sonogramas.

No ensino do dialeto PRAIA GRANDE CLÁSSICO as dificuldades são enormes, porem, por se tratar do dialeto mais completo da espécie, é portanto o mais apreciado do Brasil por conseqüência, também o mais difundido e preferido dos criadores, pela sua perfeição, maviosidade e beleza. Encontra-se numa fase bem avançada de seu desenvolvimento, que envolve inclusive o conhecimento das questões do seu ensino e das técnicas de transmissão aos filhotes que aqui enfocamos, entretanto podemos questionar o porque de cada aspecto, direcionando o questionamento a melhor compreensão da genética que determina toda esta complexidade que envolve o ato de cantar do curió. Podemos perguntar, porque as aves cantam? podemos ainda perguntar, porque a mesma espécie possui vários dialetos?

Porque os curiós precisam aprender a cantar um dialeto? Com certeza já encontramos as respostas para todas estas perguntas, e muitas outras que poderão ainda vir a serem formuladas pois, todas as respostas encontram-se codificadas no extraordinário e complexo mecanismo chamado Canto.

O canto é o aspecto mais importante e fascinante do curió, todos os fatores genéticos desta espécie estão voltados a compor um extraordinário e complexo mecanismo que se manifestará no momento exato de cumpri sua finalidade, possibilitando ao curió a aprendizagem do canto.

O canto é elemento preponderante no ritual do acasalamento, apesar da diversidade de dialetos todos dispõem dos elementos mínimos necessários ao cortejamento e atração das fêmeas.

Compete-nos entende-los para melhor podermos interferir na seleção e aprimoramento dos mesmos, objetivando a preservação com vistas no seu desenvolvimento.

Fonte: Dr.Gilson Ferreira Barbosa
E-mail: gilsonferreirabarbosa@hotmail.com

Como Identificar Ovos Fertilizados e Não Fertilizados
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Fotos de ovos no "ovoscópio":

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